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Uma História sobre Tequila - parte 3

O louco século XIX e a expansão do mercado tequilero

O louco século XIX e a expansão do mercado tequilero

A história mexicana foi bastante conturbada durante o século XIX, com inúmeras guerras, rebeliões, golpes de Estado e intervenções estrangeiras que marcaram a história política e econômica da região. A independência mexicana foi conquistada em 1821, depois de quase 11 anos de guerra contra a metrópole espanhola. A turbulência se iniciou nas colônias espanholas com o avanço das tropas napoleônicas na Europa, que resultou na abdicação do rei espanhol Fernando VII em favor de Napoleão Bonaparte, em 1808 (aquele mesmo momento que a coroa portuguesa fugiu rapidinho para o Brasil, sabe?). Durante a guerra de independência mexicana, o mercado mezcalero sofreu com a instabilidade. Um número grande de destilarias fechou, mas ainda assim o vinho mezcal era um item importante para as tropas de ambos os lados da guerra.

Após a independência, o vinho mezcal de Tequila passou a se consolidar, conquistando mercados internos e explorando pouco a pouco o gosto de mercados externos – principalmente por conta das várias intervenções (inconvenientes) da França e EUA no território. Em 1854, Ernest de Vigneaux, francês que se tornou prisioneiro de guerra no México, escreveu que “Tequila dá o seu nome à aguardente de mezcal, assim como Cognac nomeia destilados franceses”. Na metade do século o nome da cidade já era usado para identificar o vinho mezcal fabricado por lá, mas foram necessárias mais algumas décadas para que “Tequila” fosse adotado de forma geral nas esferas industriais e comerciais, popularizando-se definitivamente.

O primeiro registro do mezcal nos EUA data de 1852, importado a partir do porto mexicano da cidade San Blas, próximo de Tequila.

Documentações históricas também mostram exportações de pequenas quantidades de mezcal para Espanha, Inglaterra e França entre 1873 e 1874. Em dezembro de 1870, no jornal “Chicago Tribune” sai uma nota na qual se lê: “há um tipo superior de mezcal, produzido próximo a Guadalajara e que recebeu o nome da vila em que é feito, ‘Tequila’. Ele é mais caro do que os outros e é comercializado também na Cidade do México e outras localidades, sendo uma boa opção para presentear amigos”.

A região de Jalisco e o vilarejo de Tequila teriam ainda uma vantagem em relação a outras localidades na produção do destilado mezcal: em meados do século XIX passou a existir um consenso de que o agave-azul, nativo da região de Tequila, tinha qualidade superior para produção do mezcal. O primeiro reconhecimento internacional da qualidade da produção do “mezcal de Tequila” aconteceu em 1893, durante a Feira Mundial de Chicago.

Fica claro que o boom do vinho mezcal produzido em Tequila estava bem delineado ao final do século XIX. A difusão de linhas de trem pela América do Norte ajudou o escoamento do produto, fazendo com que fosse espalhado com maior facilidade por todo continente; a quantidade de campos de agave-azul e destilarias sofria expansão na região; uma produção crescente se adaptava a métodos novos e otimizados de fabricação, que aprimoraram ainda mais a bebida; na virada do século, novos envases de vidro foram adotados para comercialização e por fim era de conhecimento geral que o mezcal de Tequila era superior a outros mezcales.

A história mexicana foi bastante conturbada durante o século XIX, com inúmeras guerras, rebeliões, golpes de Estado e intervenções estrangeiras que marcaram a história política e econômica da região. A independência mexicana foi conquistada em 1821, depois de quase 11 anos de guerra contra a metrópole espanhola. A turbulência se iniciou nas colônias espanholas com o avanço das tropas napoleônicas na Europa, que resultou na abdicação do rei espanhol Fernando VII em favor de Napoleão Bonaparte, em 1808 (aquele mesmo momento que a coroa portuguesa fugiu rapidinho para o Brasil, sabe?). Durante a guerra de independência mexicana, o mercado mezcalero sofreu com a instabilidade. Um número grande de destilarias fechou, mas ainda assim o vinho mezcal era um item importante para as tropas de ambos os lados da guerra.

Após a independência, o vinho mezcal de Tequila passou a se consolidar, conquistando mercados internos e explorando pouco a pouco o gosto de mercados externos – principalmente por conta das várias intervenções (inconvenientes) da França e EUA no território. Em 1854, Ernest de Vigneaux, francês que se tornou prisioneiro de guerra no México, escreveu que “Tequila dá o seu nome à aguardente de mezcal, assim como Cognac nomeia destilados franceses”. Na metade do século o nome da cidade já era usado para identificar o vinho mezcal fabricado por lá, mas foram necessárias mais algumas décadas para que “Tequila” fosse adotado de forma geral nas esferas industriais e comerciais, popularizando-se definitivamente.

O primeiro registro do mezcal nos EUA data de 1852, importado a partir do porto mexicano da cidade San Blas, próximo de Tequila.



Documentações históricas também mostram exportações de pequenas quantidades de mezcal para Espanha, Inglaterra e França entre 1873 e 1874. Em dezembro de 1870, no jornal “Chicago Tribune” sai uma nota na qual se lê: “há um tipo superior de mezcal, produzido próximo a Guadalajara e que recebeu o nome da vila em que é feito, ‘Tequila’. Ele é mais caro do que os outros e é comercializado também na Cidade do México e outras localidades, sendo uma boa opção para presentear amigos”.

A região de Jalisco e o vilarejo de Tequila teriam ainda uma vantagem em relação a outras localidades na produção do destilado mezcal: em meados do século XIX passou a existir um consenso de que o agave-azul, nativo da região de Tequila, tinha qualidade superior para produção do mezcal. O primeiro reconhecimento internacional da qualidade da produção do “mezcal de Tequila” aconteceu em 1893, durante a Feira Mundial de Chicago.

Fica claro que o boom do vinho mezcal produzido em Tequila estava bem delineado ao final do século XIX. A difusão de linhas de trem pela América do Norte ajudou o escoamento do produto, fazendo com que fosse espalhado com maior facilidade por todo continente; a quantidade de campos de agave-azul e destilarias sofria expansão na região; uma produção crescente se adaptava a métodos novos e otimizados de fabricação, que aprimoraram ainda mais a bebida; na virada do século, novos envases de vidro foram adotados para comercialização e por fim era de conhecimento geral que o mezcal de Tequila era superior a outros mezcales.




Da busca da mexicanidade à normalização da Tequila

Da busca da mexicanidade à normalização da Tequila

A ditadura que se estendeu pelo fim do século XIX até a primeira década do XX, sob o comando do general Porfírio Díaz, trouxe certa estabilidade política e desenvolvimento econômico para as classes altas mexicanas, porém com desfavorecimento e esquecimento das classe baixas trabalhadoras e indígenas. Neste período, houve um movimento de europeização dos costumes mexicanos, no qual os brandies ingleses e cognacs franceses foram adotados como símbolo de refinamento e civilidade. Os poderosos do país consideravam, nesta época, os vários tipos de mezcal como bebidas do “populacho”. A reação ao regime de Porfírio Diaz veio por meio da Revolução Mexicana, que estourou em 1910 e durou dez anos.

Alavancada pelo movimento revolucionário, teve início a busca por uma identidade nacional mexicana, que abriu caminho para que a tequila se tornasse a bebida nacional por excelência. A tequila guardava um trunfo em relação a outros artigos, as raízes do produto carregavam a imagem perfeita da ancestralidade indígena, que tinha o maguey como planta sagrada, combinada com o toque europeu que transformou o pulque, trazendo em si a síntese do que seria um “México autêntico”, país nascido da mestiçagem. Sem idealizar esse processo, a tequila também levava consigo (como já vimos) uma carga de superioridade em relação aos outros mezcales, desse modo, ela se relacionava menos (em termos simbólicos) com as populações indígenas e pobres em geral.

Os movimentos artísticos e literários, movidos pelo sentimento de transformação na sociedade, passaram a forjar o caráter da mexicanidade. Em um importante romance sobre a revolução intitulado “Los de Abajo”, de 1916, o escritor Mariano Azuela descreve da seguinte forma sua personagem principal, um campesino de Zacatecas que se torna revolucionário: “Ao champanhe que efervesce na luz decomposta das lamparinas, Demétrio Macías preferia a clareza da Tequila de Jalisco”.

Algumas décadas após a revolução, nos anos trinta e quarenta, quando o nome “Tequila” já estava bem consolidado, a indústria cinematográfica mexicana também fez grande contribuição para povoar o imaginário do país com estereótipos sobre o jeito de ser dos mexicanos – incluindo aí o gosto pela tequila. Na mesma época também houve uma popularização do consumo da tequila nos EUA e expansão do mercado interno para a bebida em decorrência da Segunda Guerra Mundial, que praticamente acabou com as importações de bebidas provenientes dos países europeus.

Com força cada vez maior, os industriais tequileiros movimentaram-se para regular e proteger seu precioso produto. Fraudes não eram incomuns.

Intermediários estrangeiros se beneficiavam por meio da adulteração do produto, uma vez que eram vendidos em barris, além de produções clandestinas no próprio México. Ao fim da década de 40, o governo mexicano emitiu os primeiros padrões de qualidade que deveriam ser adotados para a produção da tequila: “La Norma Oficial Mexicana para la Calidad del Tequila” (NOM) definia a bebida como um mezcal produzido a partir do Agave Azul Tequilana Weber Amarilidáceas desenvolvida no estado de Jalisco e em terras com condições de meio ambiente semelhantes. Tal norma seguiu sendo atualizada e revisada ao longo do século. A última modificação registrada data de 2012 (NOM-006-SCFI-2012).

A norma se provou ineficiente na coibição de produtos clandestinos, levando a maior pressão por parte dos industriais do ramo. Em 1966, o Estado mexicano assinou o Acordo de Lisboa relativo à proteção das denominações de origem e administrado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), abrindo a chance para que a Tequila obtivesse sua Apelação de Origem Controlada (AOC) – processo que foi consolidado em 1977, dando à tequila reconhecimento internacional e certificação de produto originado apenas em regiões específicas do México.

A ditadura que se estendeu pelo fim do século XIX até a primeira década do XX, sob o comando do general Porfírio Díaz, trouxe certa estabilidade política e desenvolvimento econômico para as classes altas mexicanas, porém com desfavorecimento e esquecimento das classe baixas trabalhadoras e indígenas. Neste período, houve um movimento de europeização dos costumes mexicanos, no qual os brandies ingleses e cognacs franceses foram adotados como símbolo de refinamento e civilidade. Os poderosos do país consideravam, nesta época, os vários tipos de mezcal como bebidas do “populacho”. A reação ao regime de Porfírio Diaz veio por meio da Revolução Mexicana, que estourou em 1910 e durou dez anos.

Alavancada pelo movimento revolucionário, teve início a busca por uma identidade nacional mexicana, que abriu caminho para que a tequila se tornasse a bebida nacional por excelência. A tequila guardava um trunfo em relação a outros artigos, as raízes do produto carregavam a imagem perfeita da ancestralidade indígena, que tinha o maguey como planta sagrada, combinada com o toque europeu que transformou o pulque, trazendo em si a síntese do que seria um “México autêntico”, país nascido da mestiçagem. Sem idealizar esse processo, a tequila também levava consigo (como já vimos) uma carga de superioridade em relação aos outros mezcales, desse modo, ela se relacionava menos (em termos simbólicos) com as populações indígenas e pobres em geral.

Os movimentos artísticos e literários, movidos pelo sentimento de transformação na sociedade, passaram a forjar o caráter da mexicanidade. Em um importante romance sobre a revolução intitulado “Los de Abajo”, de 1916, o escritor Mariano Azuela descreve da seguinte forma sua personagem principal, um campesino de Zacatecas que se torna revolucionário: “Ao champanhe que efervesce na luz decomposta das lamparinas, Demétrio Macías preferia a clareza da Tequila de Jalisco”.

Algumas décadas após a revolução, nos anos trinta e quarenta, quando o nome “Tequila” já estava bem consolidado, a indústria cinematográfica mexicana também fez grande contribuição para povoar o imaginário do país com estereótipos sobre o jeito de ser dos mexicanos – incluindo aí o gosto pela tequila. Na mesma época também houve uma popularização do consumo da tequila nos EUA e expansão do mercado interno para a bebida em decorrência da Segunda Guerra Mundial, que praticamente acabou com as importações de bebidas provenientes dos países europeus.

Com força cada vez maior, os industriais tequileiros movimentaram-se para regular e proteger seu precioso produto. Fraudes não eram incomuns.

Intermediários estrangeiros se beneficiavam por meio da adulteração do produto, uma vez que eram vendidos em barris, além de produções clandestinas no próprio México. Ao fim da década de 40, o governo mexicano emitiu os primeiros padrões de qualidade que deveriam ser adotados para a produção da tequila: “La Norma Oficial Mexicana para la Calidad del Tequila” (NOM) definia a bebida como um mezcal produzido a partir do Agave Azul Tequilana Weber Amarilidáceas desenvolvida no estado de Jalisco e em terras com condições de meio ambiente semelhantes. Tal norma seguiu sendo atualizada e revisada ao longo do século. A última modificação registrada data de 2012 (NOM-006-SCFI-2012).

A norma se provou ineficiente na coibição de produtos clandestinos, levando a maior pressão por parte dos industriais do ramo. Em 1966, o Estado mexicano assinou o Acordo de Lisboa relativo à proteção das denominações de origem e administrado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), abrindo a chance para que a Tequila obtivesse sua Apelação de Origem Controlada (AOC) – processo que foi consolidado em 1977, dando à tequila reconhecimento internacional e certificação de produto originado apenas em regiões específicas do México.

 

Chegando ao fim da nossa longa história, temos assim que hoje em dia a Tequila só pode receber o nome de Tequila se produzida por fabricantes autorizados no estado de Jalisco e em algumas municipalidades dos estados de Nayarit, Michoacán, Guanajuato e Tamaulipas. Segundo a NOM-006-SCFI-2012 a tequila ainda deve ser feita por método específico a partir dos açúcares fermentados e depois destilados do coração, ou piña, do Agave tipo tequilana Weber A. variedade Azul, que deve compor de 51% a 100% da bebida. A NOM-006-SCFI-2012, além do nome enorme, conta com 23 páginas de detalhes e pormenores que regularizam e estabelecem os parâmetros exatos para que o destilado do Agave-Azul possa ser chamado de tequila.

A sua sorte é que você não precisa ler tudo isso para apreciar a Quetzalli, que está certificada pelo órgão regulatório independente, que existe desde 1994, o Consejo Regulador del Tequila (CRT). Nosso drink queridinho, além de não ter conservantes, corantes ou aditivos químicos é feito de Tequila real oficial.

 

Chegando ao fim da nossa longa história, temos assim que hoje em dia a Tequila só pode receber o nome de Tequila se produzida por fabricantes autorizados no estado de Jalisco e em algumas municipalidades dos estados de Nayarit, Michoacán, Guanajuato e Tamaulipas. Segundo a NOM-006-SCFI-2012 a tequila ainda deve ser feita por método específico a partir dos açúcares fermentados e depois destilados do coração, ou piña, do Agave tipo tequilana Weber A. variedade Azul, que deve compor de 51% a 100% da bebida. A NOM-006-SCFI-2012, além do nome enorme, conta com 23 páginas de detalhes e pormenores que regularizam e estabelecem os parâmetros exatos para que o destilado do Agave-Azul possa ser chamado de tequila.

A sua sorte é que você não precisa ler tudo isso para apreciar a Quetzalli, que está certificada pelo órgão regulatório independente, que existe desde 1994, o Consejo Regulador del Tequila (CRT). Nosso drink queridinho, além de não ter conservantes, corantes ou aditivos químicos é feito de Tequila real oficial.

Beatriz Aranha

Sou formada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e fiz especialização em jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Para vocês ficarem felizes, sou sagitariana com ascendente em leão. Amo ler, escrever, assistir uns filmes clássicos e ficar de boa na praia curtindo o mar.

Beatriz Aranha

Sou formada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e fiz especialização em jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Para vocês ficarem felizes, sou sagitariana com ascendente em leão. Amo ler, escrever, assistir uns filmes clássicos e ficar de boa na praia curtindo o mar.

Bibliografia

Bibliografia

Artigos Acadêmicos & Livros:

Benitez, Fernando. “El Señor Maguey”, Artes de México, núm. 51, 2000, pp. 08-15.

 

Bowen, Sarah. “Divided Spirits: Tequila, Mezcal, and the Politics of Production”, 2015.

 

Gómez, Guadalupe Ródriguez. “La Denominación de Origen del Tequila: Pugnas de Poder y la Construcción de la Especificidad Sociocultural del Agave Azul, 2007.

 

Meza, René De León. “Vino de coco y vino mezcal, una historia comercial conjunta en la época colonial, 2015.

 

Meza, René De León. “Reflections on the Late Origin of Tequila Production in the Town of Tequila”, 2016.

 

Muriá Rouret, José María. “El agave histórico. Momentos del tequila”, Artes de México, núm. 27, 1999, pp. 16-25.

 

Orellana, Margarita de. “El agave tenaz. Microhistoria del tequila: el caso Cuervo”, Artes de México, núm. 27, 1999, pp. 29-35.

 

Zapata, Ana Guadalupe V.; Paul, Gary. “Tequila: A Natural and Cultural History”, 2003.


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