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Uma história sobre Tequila - Parte 2

Como falamos no primeiro capítulo, o pulque pode ser considerado o antepassado longínquo da tequila (destilado base da nossa queridinha Quetzalli). E, se ele é esse familiar distante na árvore genealógica da nossa queridinha, podemos falar que seu avô seja o vino mezcal. Apesar do nome, de vinho ele não tem nada e é considerado por alguns historiadores como o primeiro destilado produzido nas Américas.

Como falamos no primeiro capítulo, o pulque pode ser considerado o antepassado longínquo da tequila (destilado base da nossa queridinha Quetzalli). E, se ele é esse familiar distante na árvore genealógica da nossa queridinha, podemos falar que seu avô seja o vino mezcal. Apesar do nome, de vinho ele não tem nada e é considerado por alguns historiadores como o primeiro destilado produzido nas Américas.

COLONIZADORES ESPANHÓIS E O VINHO QUE NÃO ERA VINHO

COLONIZADORES ESPANHÓIS E O VINHO QUE NÃO ERA VINHO

Era costume entre os espanhóis consumir vinhos leves durante as refeições. Na Europa, o consumo de água podia ser arriscado uma vez que saneamento básico não era lá muito básico no século XVI e, muitas vezes, a água contaminada causava diversas doenças. O problema é que uvas viníferas simplesmente não existiam na América e, aparentemente, os espanhóis não gostaram muito do tal fermentado do maguey. Com o estoque de bebidas esgotados e sem nenhum vinhedo por perto, o jeito foi começar a testar alquimias com aquela planta tão central na vida dos indígenas. E aí que surge o tal do vino mezcal.

Porém, os espanhóis não ficaram muito satisfeitos com o tal avô da tequila e, a mando de Hernán Cortés, trouxeram videiras para cultivo nas terras conquistadas. O negócio deu tão certo que, em 1595, o rei Felipe II da Espanha teve que proibir o cultivo de vinhedos no México e outras colônias, por conta do declínio na exportação dos vinhos espanhóis.

Trabalhadores mexicanos brindando Pulque, fermentado de Maguay.

Trabalhores mexicanos brindando Pulque, tal do fermentado de maguay

E é nessa fase que se tem registros do início da produção de destilados de agave e maguey na região de Jalisco (que viria a se tornar a grande zona produtora de tequila). Não se sabe ao certo se essa parte da história é verdade ou não, mas, como já começamos o primeiro capítulo da nossa história com a lenda da tequila, resolvemos manter este possível mito por aqui. Pedro Sánchez de Tagle, o segundo Marquês de Altamira – que de marquês não tinha nada, chegou na região em 1600 e, já que não podia mais trabalhar na produção de vinho, investiu na plantação do agave e na produção de destilados a partir do maguey. Ele ficou conhecido como o “pai da tequila”, tendo sido o primeiro a construir uma taberna (nome dado aos antigos alambiques e destilarias mexicanos) em sua Fazenda Cuisillos por volta de 1610 e dado início à produção do vinho mezcal.

Verdade ou não, o importante é deixar claro que a história do desenvolvimento da tequila deixa de ser permeada por lendas de origem e pais criadores lá para o final do século XVIII, quando surge de fato documentação sobre a produção da bebida. No livro de 1742, “Historia de la Conquista de la Nueva-Galicia”, Don Matias de la Mota y Padilla, comenta sobre a popularidade crescente do vinho mezcal, que já era mais querido que o pulque. Ele também fala que a produção do destilado de mezcal começava nessa época a se concentrar, pela primeira vez, em torno de algumas famílias, uma herança que vemos até hoje no modelo de produção da tequila.

Era costume entre os espanhóis consumir vinhos leves durante as refeições. Na Europa, o consumo de água podia ser arriscado uma vez que saneamento básico não era lá muito básico no século XVI e, muitas vezes, a água contaminada causava diversas doenças. O problema é que uvas viníferas simplesmente não existiam na América e, aparentemente, os espanhóis não gostaram muito do tal fermentado do maguey. Com o estoque de bebidas esgotados e sem nenhum vinhedo por perto, o jeito foi começar a testar alquimias com aquela planta tão central na vida dos indígenas. E aí que surge o tal do vino mezcal.

Porém, os espanhóis não ficaram muito satisfeitos com o tal avô da tequila e, a mando de Hernán Cortés, trouxeram videiras para cultivo nas terras conquistadas. O negócio deu tão certo que, em 1595, o rei Felipe II da Espanha teve que proibir o cultivo de vinhedos no México e outras colônias, por conta do declínio na exportação dos vinhos espanhóis.

Trabalhores mexicanos brindando Pulque,

tal do fermentado de maguay

E é nessa fase que se tem registros do início da produção de destilados de agave e maguey na região de Jalisco (que viria a se tornar a grande zona produtora de tequila). Não se sabe ao certo se essa parte da história é verdade ou não, mas, como já começamos o primeiro capítulo da nossa história com a lenda da tequila, resolvemos manter este possível mito por aqui. Pedro Sánchez de Tagle, o segundo Marquês de Altamira – que de marquês não tinha nada, chegou na região em 1600 e, já que não podia mais trabalhar na produção de vinho, investiu na plantação do agave e na produção de destilados a partir do maguey. Ele ficou conhecido como o “pai da tequila”, tendo sido o primeiro a construir uma taberna (nome dado aos antigos alambiques e destilarias mexicanos) em sua Fazenda Cuisillos por volta de 1610 e dado início à produção do vinho mezcal.

Verdade ou não, o importante é deixar claro que a história do desenvolvimento da tequila deixa de ser permeada por lendas de origem e pais criadores lá para o final do século XVIII, quando surge de fato documentação sobre a produção da bebida. No livro de 1742, “Historia de la Conquista de la Nueva-Galicia”, Don Matias de la Mota y Padilla, comenta sobre a popularidade crescente do vinho mezcal, que já era mais querido que o pulque. Ele também fala que a produção do destilado de mezcal começava nessa época a se concentrar, pela primeira vez, em torno de algumas famílias, uma herança que vemos até hoje no modelo de produção da tequila.

O VINHO MEZAL NA VILA TEQUILA

Como a gente viu, o mezcal foi se difundindo na região colonial do México a partir de pequenas produções locais. Só na segunda metade do século XVIII é que surgem com mais frequência empreendimentos maiores para produção e comercialização do produto. O primeiro deles pertence, como documentado, à família Cuervo (sim, a da tequila José Cuervo), na cidade de Tequila.

Tequila foi uma vila fundada em 1530 por freis franciscanos. A cidade fica no estado de Jalisco, costa oeste do México atual. Durante os séculos iniciais da colônia, até boa parte do século XVIII, era uma cidadezinha com pequenas propriedades rurais. Com a exploração do agave para produzir mezcal, aos poucos foi rolando uma concentração das de terra na região.

Sabe-se que as primeiras terras pertencentes aos Cuervo no povoado de Tequila datam de 1758, quando José Antonio de Cuervo obteve licença da coroa espanhola para exploração agrária em terras de Tequila. Há historiadores que dizem que José Antonio de Cuervo já produzia, em suas propriedades, o vinho mezcal para comercialização.

Dois testamentos de José Prudencio de Cuervo, um dos filhos de José Antonio de Cuervo, demonstram a evolução das produções nas propriedades da família e dão pistas sobre a atividade em torno do agave. No primeiro desses testamentos, feito em 1787, ele menciona, sem grandes ênfases, a posse de 50 mil “cabezas de mezcal” semeadas. Em seu segundo testamento, datado de 1801, 14 anos depois, há um salto quantitativo imenso no número semeado de agaves: 336.407 “cabezas de mezcal”. Sim, você leu direito: trezentas e trinta e seis mil, quatrocentas e sete plantas (imagina quanta Quetzalli daria para produzir com esse tanto de agave!). É nessa hora que se revela a verdadeira força e interesse nesta produção.

O VINHO MEZAL NA VILA TEQUILA

Como a gente viu, o mezcal foi se difundindo na região colonial do México a partir de pequenas produções locais. Só na segunda metade do século XVIII é que surgem com mais frequência empreendimentos maiores para produção e comercialização do produto. O primeiro deles pertence, como documentado, à família Cuervo (sim, a da tequila José Cuervo), na cidade de Tequila.

Tequila foi uma vila fundada em 1530 por freis franciscanos. A cidade fica no estado de Jalisco, costa oeste do México atual. Durante os séculos iniciais da colônia, até boa parte do século XVIII, era uma cidadezinha com pequenas propriedades rurais. Com a exploração do agave para produzir mezcal, aos poucos foi rolando uma concentração das de terra na região.

Sabe-se que as primeiras terras pertencentes aos Cuervo no povoado de Tequila datam de 1758, quando José Antonio de Cuervo obteve licença da coroa espanhola para exploração agrária em terras de Tequila. Há historiadores que dizem que José Antonio de Cuervo já produzia, em suas propriedades, o vinho mezcal para comercialização.

Dois testamentos de José Prudencio de Cuervo, um dos filhos de José Antonio de Cuervo, demonstram a evolução das produções nas propriedades da família e dão pistas sobre a atividade em torno do agave. No primeiro desses testamentos, feito em 1787, ele menciona, sem grandes ênfases, a posse de 50 mil “cabezas de mezcal” semeadas. Em seu segundo testamento, datado de 1801, 14 anos depois, há um salto quantitativo imenso no número semeado de agaves: 336.407 “cabezas de mezcal”. Sim, você leu direito: trezentas e trinta e seis mil, quatrocentas e sete plantas (imagina quanta Quetzalli daria para produzir com esse tanto de agave!). É nessa hora que se revela a verdadeira força e interesse nesta produção.

Fábrica La Rojeña, destilaria mais antiga da América Latina

Fábrica La Rojeña, destilaria mais antiga da América Latina

Estátua de Corvo, um símbolo da Família e da Tequila José Cuervo

Estátua de Corvo, um símbolo da Família e da Tequila José Cuervo

Esses documentos podem indicar o interesse que José Prudencio e sua família possuíam pelo agave desde o início. Entre 1785 e 1795 a produção e venda de bebidas alcoólicas nas colônias foi proibida pelo reino espanhol na tentativa de favorecer as exportações espanholas. Em 1795 rolou a primeira licença para exploração econômica do vinho mezcal na região e, sem grandes surpresas, ela foi concedida em nome de José María de Cuervo, irmão de José Prudencio de Cuervo.

A indústria se provou muito lucrativa. Em 1805, a “Taberna de Cuervo”, de José María, produzia 400 mil “cribas” (recipientes) do destilado de mezcal por ano. Em 1812, a foi herdada por María Magdalena de Cuervo e seu marido, Vicente Albino Rojas, que aumentou consideravelmente a produção, ampliando a distribuição para além da região de Jalisco. Lá para o meio do século XIX, Vicente Albino Rojas possuía espalhados por suas propriedades mais de três milhões de agaves semeados. A destilaria fundada por ele, La Rojeña, existe até hoje na cidade de Tequila e é considerada a mais antiga da América Latina.

Com isso, caro leitor, você pode imaginar que o mezcal produzido em Tequila vai ganhar muita visibilidade e força ao longo do tempo, até se tornar de fato a nossa amada tequila. E o resto dessa história você pode acompanhar no terceiro capítulo da nossa saga!

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El Jimador, o trabalhador responsável por colheita de agaves  usados para a produção de tequila.

El Jimador, o trabalhador responsável por colheita de agaves

usados para a produção de tequila

Fábrica La Rojeña, destilaria mais antiga da América Latina

Estátua de Corvo, um símbolo da Família e da Tequila José Cuervo

Esses documentos podem indicar o interesse que José Prudencio e sua família possuíam pelo agave desde o início. Entre 1785 e 1795 a produção e venda de bebidas alcoólicas nas colônias foi proibida pelo reino espanhol na tentativa de favorecer as exportações espanholas. Em 1795 rolou a primeira licença para exploração econômica do vinho mezcal na região e, sem grandes surpresas, ela foi concedida em nome de José María de Cuervo, irmão de José Prudencio de Cuervo.

El Jimador, o trabalhador responsável por colheita de agaves usados para a produção de tequila

A indústria se provou muito lucrativa. Em 1805, a “Taberna de Cuervo”, de José María, produzia 400 mil “cribas” (recipientes) do destilado de mezcal por ano. Em 1812, a foi herdada por María Magdalena de Cuervo e seu marido, Vicente Albino Rojas, que aumentou consideravelmente a produção, ampliando a distribuição para além da região de Jalisco. Lá para o meio do século XIX, Vicente Albino Rojas possuía espalhados por suas propriedades mais de três milhões de agaves semeados. A destilaria fundada por ele, La Rojeña, existe até hoje na cidade de Tequila e é considerada a mais antiga da América Latina.

Com isso, caro leitor, você pode imaginar que o mezcal produzido em Tequila vai ganhar muita visibilidade e força ao longo do tempo, até se tornar de fato a nossa amada tequila. E o resto dessa história você pode acompanhar no terceiro capítulo da nossa saga!


Beatriz Aranha

Sou formada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e fiz especialização em jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Para vocês ficarem felizes, sou sagitariana com ascendente em leão. Amo ler, escrever, assistir uns filmes clássicos e ficar de boa na praia curtindo o mar.

Beatriz Aranha

Sou formada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e fiz especialização em jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Para vocês ficarem felizes, sou sagitariana com ascendente em leão. Amo ler, escrever, assistir uns filmes clássicos e ficar de boa na praia curtindo o mar.


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