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Uma história sobre Tequila - Parte 1

Para começar...

Para começar...

Nesta pequena série de três capítulos a gente vai apresentar uma história extensa da tequila. Nossa intenção inicial era fazer uma história bem breve, mas eram tantas informações que essa história super rica nos fascinou.

Foram séculos (senão milênios) para que a planta agave, matéria prima da tequila, percorresse, com o povo mexicano, todo longo caminho até chegar ao querido destilado mundialmente conhecido. Esta é uma jornada que se inicia com mitos indígenas e costumes das culturas pré-hispânicas e corre por vários séculos até finalmente se tornar a iguaria inebriante que a gente tanto ama, a tequila.

Pegue sua Quetzalli, sente no teu canto preferido, relaxe bem e acompanhe a gente nessa trajetória incrível da Tequila.

Nesta pequena série de três capítulos a gente vai apresentar uma história extensa da tequila. Nossa intenção inicial era fazer uma história bem breve, mas eram tantas informações que essa história super rica nos fascinou.

Foram séculos (senão milênios) para que a planta agave, matéria prima da tequila, percorresse, com o povo mexicano, todo longo caminho até chegar ao querido destilado mundialmente conhecido. Esta é uma jornada que se inicia com mitos indígenas e costumes das culturas pré-hispânicas e corre por vários séculos até finalmente se tornar a iguaria inebriante que a gente tanto ama, a tequila.

Pegue sua Quetzalli, sente no teu canto preferido, relaxe bem e acompanhe a gente nessa trajetória incrível da Tequila.

homem extraindo aguamiel da agave
homem extraindo aguamiel da agave

Para começar...

Para começar...

Nesta pequena série de três capítulos a gente vai apresentar uma história extensa da tequila. Nossa intenção inicial era fazer uma história bem breve, mas eram tantas informações que essa história super rica nos fascinou.

Foram séculos (senão milênios) para que a planta agave, matéria prima da tequila, percorresse, com o povo mexicano, todo longo caminho até chegar ao querido destilado mundialmente conhecido. Esta é uma jornada que se inicia com mitos indígenas e costumes das culturas pré-hispânicas e corre por vários séculos até finalmente se tornar a iguaria inebriante que a gente tanto ama, a tequila.

Pegue sua Quetzalli, sente no teu canto preferido, relaxe bem e acompanhe a gente nessa trajetória incrível da Tequila.

Nesta pequena série de três capítulos a gente vai apresentar uma história extensa da tequila. Nossa intenção inicial era fazer uma história bem breve, mas eram tantas informações que essa história super rica nos fascinou.

Foram séculos (senão milênios) para que a planta agave, matéria prima da tequila, percorresse, com o povo mexicano, todo longo caminho até chegar ao querido destilado mundialmente conhecido. Esta é uma jornada que se inicia com mitos indígenas e costumes das culturas pré-hispânicas e corre por vários séculos até finalmente se tornar a iguaria inebriante que a gente tanto ama, a tequila.

Pegue sua Quetzalli, sente no teu canto preferido, relaxe bem e acompanhe a gente nessa trajetória incrível da Tequila.

homem extraindo aguamiel da agave
homem extraindo aguamiel da agave

Antes do mundo ser mundo...

Antes do mundo ser mundo...

Quetzalcóatl, um deus generoso com corpo de serpente revestido de plumas, habitava o panteão asteca. Certo dia, ele e outros deuses criadores matutavam sobre o que poderiam fazer para alegrar a vida dos humanos na terra, para que estes não se sentissem tão sós; para que dançassem, rissem e logicamente reverenciassem eles, os deuses.

No meio do brainstorm do grupo, Quetzalcóatl lembrou-se da jovem e bela Mayahuel, que habitava outro céu, o céu das águas, salpicado de estrelas e que só surgia durante a noite. Falou para os colegas que ela, por sua conhecida beleza, poderia alegrar a existência dos homens. Nenhum desses deuses nunca a havia visto, mas se animaram e concordaram com a ideia. Quetzalcóatl partiu, então, para realizar a tal missão de resgatá-la. Mas resgatar? Sim, resgatar, porque a bela vivia sob a guarda e proteção feroz de sua terrível avó, Tzintzimitl, uma deidade maligna que fazia de tudo para impedir que o sol chegasse à terra.

Durante o sono da avó Tzintzimitl, o deus voou como o vento para conversar com Mayahuel e convencê-la do plano. Quando Quetzalcóatl a encontrou, ficou um tanto abestalhado por sua beleza e não soube muito o que dizer. Por sorte, ele não precisou se articular muito nos argumentos, pois toda a luz que o jovem deus emanava fez com que Mayahuel logo se apaixonasse também. Desceram os dois juntos à terra.

 Durante a jornada, ambos os deuses, completamente apaixonados, prometeram amor eterno e, ao chegar na terra, entrelaçaram seus corpos formando uma linda árvore. Contudo, ao acordar, Tzintzimitl logo percebeu a ausência da neta e partiu em busca dela junto com suas cupinchas, os espíritos da escuridão, Tzitzimime. Ninguém sabe muito bem como, mas as Tzitzimime encontraram Mayahuel e, a mando da Avó, destruíram a planta formada, alimentando-se de todas as partes destroçadas da bela deusa.

A parte da árvore pertencente a Quetzalcóatl permaneceu intacta. Devastado por dentro, Quetzalcóatl esperou que os espíritos malignos voltassem e, então, retornando à sua forma de deus, recolheu e enterrou todos os restos e ossos espalhados de sua amada. No local do sepultamento dos restos de Mayahuel, nasceu o Metl, planta mãe, considerada divina pelos povos mesoamericanos antigos.

E é por esta planta chamada de Metl, ou Maguey, ou Agave que chegaremos à Tequila.

Quetzalcóatl, um deus generoso com corpo de serpente revestido de plumas, habitava o panteão asteca. Certo dia, ele e outros deuses criadores matutavam sobre o que poderiam fazer para alegrar a vida dos humanos na terra, para que estes não se sentissem tão sós; para que dançassem, rissem e logicamente reverenciassem eles, os deuses.

No meio do brainstorm do grupo, Quetzalcóatl lembrou-se da jovem e bela Mayahuel, que habitava outro céu, o céu das águas, salpicado de estrelas e que só surgia durante a noite. Falou para os colegas que ela, por sua conhecida beleza, poderia alegrar a existência dos homens. Nenhum desses deuses nunca a havia visto, mas se animaram e concordaram com a ideia. Quetzalcóatl partiu, então, para realizar a tal missão de resgatá-la. Mas resgatar? Sim, resgatar, porque a bela vivia sob a guarda e proteção feroz de sua terrível avó, Tzintzimitl, uma deidade maligna que fazia de tudo para impedir que o sol chegasse à terra.

Durante o sono da avó Tzintzimitl, o deus voou como o vento para conversar com Mayahuel e convencê-la do plano. Quando Quetzalcóatl a encontrou, ficou um tanto abestalhado por sua beleza e não soube muito o que dizer.

Por sorte, ele não precisou se articular muito nos argumentos, pois toda a luz que o jovem deus emanava fez com que Mayahuel logo se apaixonasse também. Desceram os dois juntos à terra.

Durante a jornada, ambos os deuses, completamente apaixonados, prometeram amor eterno e, ao chegar na terra, entrelaçaram seus corpos formando uma linda árvore. Contudo, ao acordar, Tzintzimitl logo percebeu a ausência da neta e partiu em busca dela junto com suas cupinchas, os espíritos da escuridão, Tzitzimime. Ninguém sabe muito bem como, mas as Tzitzimime encontraram Mayahuel e, a mando da Avó, destruíram a planta formada, alimentando-se de todas as partes destroçadas da bela deusa.

A parte da árvore pertencente a Quetzalcóatl permaneceu intacta. Devastado por dentro, Quetzalcóatl esperou que os espíritos malignos voltassem e, então, retornando à sua forma de deus, recolheu e enterrou todos os restos e ossos espalhados de sua amada. No local do sepultamento dos restos de Mayahuel, nasceu o Metl, planta mãe, considerada divina pelos povos mesoamericanos antigos.

E é por esta planta chamada de Metl, ou Maguey, ou Agave que chegaremos à Tequila.

Do Agave
ao Pulque,
antepassado
da Tequila

O mito descrito acima é apenas um dos vários que se têm conhecimento sobre o agave, a “árbol de las maravillas”. Esta planta foi um vegetal tão central para algumas culturas pré-hispânicas da Mesoamérica que é possível encontrar várias histórias, mitos e lendas envolvendo-o. No século XVI, o Frei Francisco Jiménez escreveu sobre ela: “Parece-me que apenas esta planta bastaria para prover todas as coisas necessárias à vida humana, pois os proveitos e vitalidades derivados de seu uso são quase inumeráveis”.

Mas o que é o agave? Um pouquinho de botânica: o gênero agave é conhecido por suas espécies suculentas (tipo aquelas que você tem em casa e nem precisa regar) e com estrutura adaptada para climas semi-áridos e desérticos. Tipicamente, suas espécies possuem forma de roseta em torno de um caule pequeno e curto. As folhas costumam ser longas, carnudas, lisas e pontiagudas. São muito fibrosas por dentro e suas laterais costumam ser revestidas por espinhos resistentes. Quando atingem a maturidade, do centro do caule se desenvolve uma grande haste com pequenas flores, que pode chegar a 5 metros dependendo da espécie. Uma vez que esta haste atinge seu pico, tendo espalhado suas sementes, a planta mãe morre.

Vestígios arqueológicos demonstram que o agave é utilizado há mais de 6 mil anos. Várias de suas espécies acompanharam a transição de grupos nômades caçadores-coletores para agricultores sedentários (no sentido de se fixar em um local e não de não ir à academia). Ainda na era pré-colombiana, inúmeras técnicas e ferramentas foram desenvolvidas para tirar o melhor proveito do vegetal.

Das fibras resistentes do maguey, nome dado a algumas espécies do agave, eram produzidos tecidos, roupas, cordas, sapatos e papel; do seu caule robusto faziam-se bancos; seus espinhos eram utilizados como agulhas, alfinetes e até como instrumentos para sacrifício; as folhas secas podiam servir de material para telhados.

Mas, a parte que realmente nos interessa é sua seiva. Da seiva eram produzidos açúcar, vinagre, melaço e as primeiras bebidas alcoólicas que se tem registro nas Américas.

Para se obter essa seiva nutritiva, chamada de aguamiel, os nativos arrancavam a haste central assim que ela começava a despontar (para evitar a morte da planta). Faziam, então, uma raspagem do miolo, produzindo um espaço oco nesse centro. Depois deste processo, e com a raspagem diária dos tecidos dessa “vasilha” formada na planta, a seiva começava a se acumular e brotar sem parar. Um maguey poderia dar até quatro litros diários de aguamiel.

Não há registro de quando exatamente surgiu a bebida alcoólica feita a partir do maguey e considerada sagrada pelos astecas, chamada em alguns locais de Pulque. O que se tem certeza é que os nativos da Mesoamerica tinham conhecimento deste processo muito antes da invasão espanhola e se utilizavam desta bebida leitosa e de baixo teor alcoólico de forma rigorosa em rituais, principalmente nos de sacrifício humano (histórias polêmicas para uma outra ocasião).

O conquistador Hernán Cortés em sua segunda carta enviada ao rei da Espanha, Carlos V, em 1520, menciona pela primeira vez o uso difundido do maguey para produzir açúcar e vinho, que os indígenas chegavam até a vender. Em 1524, o conquistador registra que a bebida fermentada era chamada de “pulque”. Dificilmente o método de fabricação do pulque que conhecemos hoje se manteve o mesmo dos tempos pré-hispânicos. O fato é que o maguey e todo o conhecimento e uso que os nativos faziam da planta impressionaram os europeus.

E o pulque, caros amigos, nada mais é do que um antepassado longínquo da nossa amada tequila! Mas essa história fica para o próximo capítulo, onde vamos contar sobre a adaptação que os invasores espanhóis fizeram ao pulque quando o estoque de bebidas deles acabou e a chegada dessa invenção mestiça na Vila de Tequila 😉

 

Do Agave ao Pulque, antepassado
da Tequila

O mito descrito acima é apenas um dos vários que se têm conhecimento sobre o agave, a “árbol de las maravillas”. Esta planta foi um vegetal tão central para algumas culturas pré-hispânicas da Mesoamérica que é possível encontrar várias histórias, mitos e lendas envolvendo-o. No século XVI, o Frei Francisco Jiménez escreveu sobre ela: “Parece-me que apenas esta planta bastaria para prover todas as coisas necessárias à vida humana, pois os proveitos e vitalidades derivados de seu uso são quase inumeráveis”.

Mas o que é o agave? Um pouquinho de botânica: o gênero agave é conhecido por suas espécies suculentas (tipo aquelas que você tem em casa e nem precisa regar) e com estrutura adaptada para climas semi-áridos e desérticos. Tipicamente, suas espécies possuem forma de roseta em torno de um caule pequeno e curto. As folhas costumam ser longas, carnudas, lisas e pontiagudas. São muito fibrosas por dentro e suas laterais costumam ser revestidas por espinhos resistentes. Quando atingem a maturidade, do centro do caule se desenvolve uma grande haste com pequenas flores, que pode chegar a 5 metros dependendo da espécie. Uma vez que esta haste atinge seu pico, tendo espalhado suas sementes, a planta mãe morre.

Vestígios arqueológicos demonstram que o agave é utilizado há mais de 6 mil anos. Várias de suas espécies acompanharam a transição de grupos nômades caçadores-coletores para agricultores sedentários (no sentido de se fixar em um local e não de não ir à academia). Ainda na era pré-colombiana, inúmeras técnicas e ferramentas foram desenvolvidas para tirar o melhor proveito do vegetal.

Das fibras resistentes do maguey, nome dado a algumas espécies do agave, eram produzidos tecidos, roupas, cordas, sapatos e papel; do seu caule robusto faziam-se bancos; seus espinhos eram utilizados como agulhas, alfinetes e até como instrumentos para sacrifício; as folhas secas podiam servir de material para telhados.

Mas, a parte que realmente nos interessa é sua seiva. Da seiva eram produzidos açúcar, vinagre, melaço e as primeiras bebidas alcoólicas que se tem registro nas Américas.

Para se obter essa seiva nutritiva, chamada de aguamiel, os nativos arrancavam a haste central assim que ela começava a despontar (para evitar a morte da planta). Faziam, então, uma raspagem do miolo, produzindo um espaço oco nesse centro. Depois deste processo, e com a raspagem diária dos tecidos dessa “vasilha” formada na planta, a seiva começava a se acumular e brotar sem parar. Um maguey poderia dar até quatro litros diários de aguamiel.

Folha de agave azul em uma platação de tequila em Guadalajara no México

Não há registro de quando exatamente surgiu a bebida alcoólica feita a partir do maguey e considerada sagrada pelos astecas, chamada em alguns locais de Pulque. O que se tem certeza é que os nativos da Mesoamerica tinham conhecimento deste processo muito antes da invasão espanhola e se utilizavam desta bebida leitosa e de baixo teor alcoólico de forma rigorosa em rituais, principalmente nos de sacrifício humano (histórias polêmicas para uma outra ocasião).

O conquistador Hernán Cortés em sua segunda carta enviada ao rei da Espanha, Carlos V, em 1520, menciona pela primeira vez o uso difundido do maguey para produzir açúcar e vinho, que os indígenas chegavam até a vender. Em 1524, o conquistador registra que a bebida fermentada era chamada de “pulque”. Dificilmente o método de fabricação do pulque que conhecemos hoje se manteve o mesmo dos tempos pré-hispânicos. O fato é que o maguey e todo o conhecimento e uso que os nativos faziam da planta impressionaram os europeus.

E o pulque, caros amigos, nada mais é do que um antepassado longínquo da nossa amada tequila! Mas essa história fica para o próximo capítulo, onde vamos contar sobre a adaptação que os invasores espanhóis fizeram ao pulque quando o estoque de bebidas deles acabou e a chegada dessa invenção mestiça na Vila de Tequila 😉


Antes do mundo ser mundo...

Antes do mundo ser mundo...

Quetzalcóatl, um deus generoso com corpo de serpente revestido de plumas, habitava o panteão asteca. Certo dia, ele e outros deuses criadores matutavam sobre o que poderiam fazer para alegrar a vida dos humanos na terra, para que estes não se sentissem tão sós; para que dançassem, rissem e logicamente reverenciassem eles, os deuses.

No meio do brainstorm do grupo, Quetzalcóatl lembrou-se da jovem e bela Mayahuel, que habitava outro céu, o céu das águas, salpicado de estrelas e que só surgia durante a noite. Falou para os colegas que ela, por sua conhecida beleza, poderia alegrar a existência dos homens. Nenhum desses deuses nunca a havia visto, mas se animaram e concordaram com a ideia. Quetzalcóatl partiu, então, para realizar a tal missão de resgatá-la. Mas resgatar? Sim, resgatar, porque a bela vivia sob a guarda e proteção feroz de sua terrível avó, Tzintzimitl, uma deidade maligna que fazia de tudo para impedir que o sol chegasse à terra.

Durante o sono da avó Tzintzimitl, o deus voou como o vento para conversar com Mayahuel e convencê-la do plano. Quando Quetzalcóatl a encontrou, ficou um tanto abestalhado por sua beleza e não soube muito o que dizer. Por sorte, ele não precisou se articular muito nos argumentos, pois toda a luz que o jovem deus emanava fez com que Mayahuel logo se apaixonasse também. Desceram os dois juntos à terra.

 Durante a jornada, ambos os deuses, completamente apaixonados, prometeram amor eterno e, ao chegar na terra, entrelaçaram seus corpos formando uma linda árvore. Contudo, ao acordar, Tzintzimitl logo percebeu a ausência da neta e partiu em busca dela junto com suas cupinchas, os espíritos da escuridão, Tzitzimime. Ninguém sabe muito bem como, mas as Tzitzimime encontraram Mayahuel e, a mando da Avó, destruíram a planta formada, alimentando-se de todas as partes destroçadas da bela deusa.

A parte da árvore pertencente a Quetzalcóatl permaneceu intacta. Devastado por dentro, Quetzalcóatl esperou que os espíritos malignos voltassem e, então, retornando à sua forma de deus, recolheu e enterrou todos os restos e ossos espalhados de sua amada. No local do sepultamento dos restos de Mayahuel, nasceu o Metl, planta mãe, considerada divina pelos povos mesoamericanos antigos.

E é por esta planta chamada de Metl, ou Maguey, ou Agave que chegaremos à Tequila.

Quetzalcóatl, um deus generoso com corpo de serpente revestido de plumas, habitava o panteão asteca. Certo dia, ele e outros deuses criadores matutavam sobre o que poderiam fazer para alegrar a vida dos humanos na terra, para que estes não se sentissem tão sós; para que dançassem, rissem e logicamente reverenciassem eles, os deuses.

No meio do brainstorm do grupo, Quetzalcóatl lembrou-se da jovem e bela Mayahuel, que habitava outro céu, o céu das águas, salpicado de estrelas e que só surgia durante a noite. Falou para os colegas que ela, por sua conhecida beleza, poderia alegrar a existência dos homens. Nenhum desses deuses nunca a havia visto, mas se animaram e concordaram com a ideia. Quetzalcóatl partiu, então, para realizar a tal missão de resgatá-la. Mas resgatar? Sim, resgatar, porque a bela vivia sob a guarda e proteção feroz de sua terrível avó, Tzintzimitl, uma deidade maligna que fazia de tudo para impedir que o sol chegasse à terra.

Durante o sono da avó Tzintzimitl, o deus voou como o vento para conversar com Mayahuel e convencê-la do plano. Quando Quetzalcóatl a encontrou, ficou um tanto abestalhado por sua beleza e não soube muito o que dizer.

Por sorte, ele não precisou se articular muito nos argumentos, pois toda a luz que o jovem deus emanava fez com que Mayahuel logo se apaixonasse também. Desceram os dois juntos à terra.

Durante a jornada, ambos os deuses, completamente apaixonados, prometeram amor eterno e, ao chegar na terra, entrelaçaram seus corpos formando uma linda árvore. Contudo, ao acordar, Tzintzimitl logo percebeu a ausência da neta e partiu em busca dela junto com suas cupinchas, os espíritos da escuridão, Tzitzimime. Ninguém sabe muito bem como, mas as Tzitzimime encontraram Mayahuel e, a mando da Avó, destruíram a planta formada, alimentando-se de todas as partes destroçadas da bela deusa.

A parte da árvore pertencente a Quetzalcóatl permaneceu intacta. Devastado por dentro, Quetzalcóatl esperou que os espíritos malignos voltassem e, então, retornando à sua forma de deus, recolheu e enterrou todos os restos e ossos espalhados de sua amada. No local do sepultamento dos restos de Mayahuel, nasceu o Metl, planta mãe, considerada divina pelos povos mesoamericanos antigos.

E é por esta planta chamada de Metl, ou Maguey, ou Agave que chegaremos à Tequila.

Do Agave ao Pulque,
antepassado da Tequila

O mito descrito acima é apenas um dos vários que se têm conhecimento sobre o agave, a “árbol de las maravillas”. Esta planta foi um vegetal tão central para algumas culturas pré-hispânicas da Mesoamérica que é possível encontrar várias histórias, mitos e lendas envolvendo-o. No século XVI, o Frei Francisco Jiménez escreveu sobre ela: “Parece-me que apenas esta planta bastaria para prover todas as coisas necessárias à vida humana, pois os proveitos e vitalidades derivados de seu uso são quase inumeráveis”.

Mas o que é o agave? Um pouquinho de botânica: o gênero agave é conhecido por suas espécies suculentas (tipo aquelas que você tem em casa e nem precisa regar) e com estrutura adaptada para climas semi-áridos e desérticos. Tipicamente, suas espécies possuem forma de roseta em torno de um caule pequeno e curto. As folhas costumam ser longas, carnudas, lisas e pontiagudas. São muito fibrosas por dentro e suas laterais costumam ser revestidas por espinhos resistentes. Quando atingem a maturidade, do centro do caule se desenvolve uma grande haste com pequenas flores, que pode chegar a 5 metros dependendo da espécie. Uma vez que esta haste atinge seu pico, tendo espalhado suas sementes, a planta mãe morre.

Vestígios arqueológicos demonstram que o agave é utilizado há mais de 6 mil anos. Várias de suas espécies acompanharam a transição de grupos nômades caçadores-coletores para agricultores sedentários (no sentido de se fixar em um local e não de não ir à academia). Ainda na era pré-colombiana, inúmeras técnicas e ferramentas foram desenvolvidas para tirar o melhor proveito do vegetal.

Do Agave ao Pulque, antepassado
da Tequila

O mito descrito acima é apenas um dos vários que se têm conhecimento sobre o agave, a “árbol de las maravillas”. Esta planta foi um vegetal tão central para algumas culturas pré-hispânicas da Mesoamérica que é possível encontrar várias histórias, mitos e lendas envolvendo-o. No século XVI, o Frei Francisco Jiménez escreveu sobre ela: “Parece-me que apenas esta planta bastaria para prover todas as coisas necessárias à vida humana, pois os proveitos e vitalidades derivados de seu uso são quase inumeráveis”.

Mas o que é o agave? Um pouquinho de botânica: o gênero agave é conhecido por suas espécies suculentas (tipo aquelas que você tem em casa e nem precisa regar) e com estrutura adaptada para climas semi-áridos e desérticos. Tipicamente, suas espécies possuem forma de roseta em torno de um caule pequeno e curto. As folhas costumam ser longas, carnudas, lisas e pontiagudas. São muito fibrosas por dentro e suas laterais costumam ser revestidas por espinhos resistentes. Quando atingem a maturidade, do centro do caule se desenvolve uma grande haste com pequenas flores, que pode chegar a 5 metros dependendo da espécie. Uma vez que esta haste atinge seu pico, tendo espalhado suas sementes, a planta mãe morre.

Vestígios arqueológicos demonstram que o agave é utilizado há mais de 6 mil anos. Várias de suas espécies acompanharam a transição de grupos nômades caçadores-coletores para agricultores sedentários (no sentido de se fixar em um local e não de não ir à academia). Ainda na era pré-colombiana, inúmeras técnicas e ferramentas foram desenvolvidas para tirar o melhor proveito do vegetal.

Das fibras resistentes do maguey, nome dado a algumas espécies do agave, eram produzidos tecidos, roupas, cordas, sapatos e papel; do seu caule robusto faziam-se bancos; seus espinhos eram utilizados como agulhas, alfinetes e até como instrumentos para sacrifício; as folhas secas podiam servir de material para telhados.

Mas, a parte que realmente nos interessa é sua seiva. Da seiva eram produzidos açúcar, vinagre, melaço e as primeiras bebidas alcoólicas que se tem registro nas Américas.

Para se obter essa seiva nutritiva, chamada de aguamiel, os nativos arrancavam a haste central assim que ela começava a despontar (para evitar a morte da planta). Faziam, então, uma raspagem do miolo, produzindo um espaço oco nesse centro. Depois deste processo, e com a raspagem diária dos tecidos dessa “vasilha” formada na planta, a seiva começava a se acumular e brotar sem parar. Um maguey poderia dar até quatro litros diários de aguamiel.

Não há registro de quando exatamente surgiu a bebida alcoólica feita a partir do maguey e considerada sagrada pelos astecas, chamada em alguns locais de Pulque. O que se tem certeza é que os nativos da Mesoamerica tinham conhecimento deste processo muito antes da invasão espanhola e se utilizavam desta bebida leitosa e de baixo teor alcoólico de forma rigorosa em rituais, principalmente nos de sacrifício humano (histórias polêmicas para uma outra ocasião).

O conquistador Hernán Cortés em sua segunda carta enviada ao rei da Espanha, Carlos V, em 1520, menciona pela primeira vez o uso difundido do maguey para produzir açúcar e vinho, que os indígenas chegavam até a vender. Em 1524, o conquistador registra que a bebida fermentada era chamada de “pulque”. Dificilmente o método de fabricação do pulque que conhecemos hoje se manteve o mesmo dos tempos pré-hispânicos. O fato é que o maguey e todo o conhecimento e uso que os nativos faziam da planta impressionaram os europeus.

E o pulque, caros amigos, nada mais é do que um antepassado longínquo da nossa amada tequila! Mas essa história fica para o próximo capítulo, onde vamos contar sobre a adaptação que os invasores espanhóis fizeram ao pulque quando o estoque de bebidas deles acabou e a chegada dessa invenção mestiça na Vila de Tequila 😉

Das fibras resistentes do maguey, nome dado a algumas espécies do agave, eram produzidos tecidos, roupas, cordas, sapatos e papel; do seu caule robusto faziam-se bancos; seus espinhos eram utilizados como agulhas, alfinetes e até como instrumentos para sacrifício; as folhas secas podiam servir de material para telhados.

Mas, a parte que realmente nos interessa é sua seiva. Da seiva eram produzidos açúcar, vinagre, melaço e as primeiras bebidas alcoólicas que se tem registro nas Américas.

Para se obter essa seiva nutritiva, chamada de aguamiel, os nativos arrancavam a haste central assim que ela começava a despontar (para evitar a morte da planta). Faziam, então, uma raspagem do miolo, produzindo um espaço oco nesse centro. Depois deste processo, e com a raspagem diária dos tecidos dessa “vasilha” formada na planta, a seiva começava a se acumular e brotar sem parar. Um maguey poderia dar até quatro litros diários de aguamiel.

Não há registro de quando exatamente surgiu a bebida alcoólica feita a partir do maguey e considerada sagrada pelos astecas, chamada em alguns locais de Pulque. O que se tem certeza é que os nativos da Mesoamerica tinham conhecimento deste processo muito antes da invasão espanhola e se utilizavam desta bebida leitosa e de baixo teor alcoólico de forma rigorosa em rituais, principalmente nos de sacrifício humano (histórias polêmicas para uma outra ocasião).

O conquistador Hernán Cortés em sua segunda carta enviada ao rei da Espanha, Carlos V, em 1520, menciona pela primeira vez o uso difundido do maguey para produzir açúcar e vinho, que os indígenas chegavam até a vender. Em 1524, o conquistador registra que a bebida fermentada era chamada de “pulque”. Dificilmente o método de fabricação do pulque que conhecemos hoje se manteve o mesmo dos tempos pré-hispânicos. O fato é que o maguey e todo o conhecimento e uso que os nativos faziam da planta impressionaram os europeus.

E o pulque, caros amigos, nada mais é do que um antepassado longínquo da nossa amada tequila! Mas essa história fica para o próximo capítulo, onde vamos contar sobre a adaptação que os invasores espanhóis fizeram ao pulque quando o estoque de bebidas deles acabou e a chegada dessa invenção mestiça na Vila de Tequila 😉

 

Beatriz Aranha

Sou formada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e fiz especialização em jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Para vocês ficarem felizes, sou sagitariana com ascendente em leão. Amo ler, escrever, assistir uns filmes clássicos e ficar de boa na praia curtindo o mar.


Beatriz Aranha

Sou formada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e fiz especialização em jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Para vocês ficarem felizes, sou sagitariana com ascendente em leão. Amo ler, escrever, assistir uns filmes clássicos e ficar de boa na praia curtindo o mar.


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