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Em Busca da Tequila Perfeita

Que Quetzalli é um drink engarrafado feito com tequila, maracujá, limão e calda de agave, todo mundo já sabe. Ela já ganhou muitos fãs pelo Brasil e pelo mundo (não é à toa que temos 2 prêmios internacionais), mas quem vê a bebida prontinha, nem imagina a aventura que foi para chegarmos na fórmula final.

Desde o começo do projeto, quando eu e o Ken decidimos criar uma bebida nossa e que mudasse a forma como os brasileiros consumiam a tequila, sempre buscamos trabalhar com ingredientes de qualidade. Queríamos fazer um produto único, algo totalmente diferente do que se via no mercado. E claro que o maior desafio à nossa frente era a escolha da tequila.

Sabíamos o que queríamos, mas não tínhamos ideia nem por onde começar. Nosso conhecimento era totalmente restrito ao conteúdo de marketing das marcas do mercado brasileiro. Não entendíamos nada sobre o processo de produção, os perfis do destilado e nem o que contava na hora de dizer se um produto era de qualidade ou não.

A única coisa que tínhamos certeza era de que o que precisávamos não estava no Brasil e sim no México. E foi assim que começou a nossa busca por especialistas mexicanos.

A BUSCA POR ESPECIALISTAS MEXICANOS

Conversando com o Ken, a primeira coisa que me veio à cabeça foram os passeios nos quais grandes marcas, como José Cuervo, levam os turistas em um passeio de trem através das paisagens de agave azul. A ideia é conhecer suas haciendas, seu processo produtivo e desembocar em um restaurante ou loja da marca na esperança de que todos estejam mais propensos a levar uma garrafa para casa.

Para quem era totalmente leiga no assunto, esse parecia um bom começo para pesquisar. Entramos em contato com empresas que trabalhavam na região tequileira e, durante essa busca, nos deparamos com o Consejo Regulamentador del Tequila (CRT), um órgão mexicano responsável por monitorar todo o processo de produção de tequila, desde a plantação das mudas de agave até o envase do líquido final no mundo inteiro. Conversando com algumas pessoas de lá, percebemos a seriedade do assunto e tivemos a certeza de que precisava encontrar a pessoa certa para me orientar nesse processo.

Enquanto pesquisávamos passeios turísticos da zona tequileira, uma das empresas que encontramos foi a Experience Tequila, que hoje se chama Experience Agave. Engatamos uma conversa com o Clayton Szczech, dono da empresa, sobre tours que eles ofereciam e sobre a possibilidade de conversar com pequenos produtores locais. A conversa foi tomando um rumo mais profissional que turístico e aprendemos que o Clayton era certificado como "Experto en Tequila" e o único não mexicano que possuía a certificação "Double-T" concedida pelo CRT.

Esse cara era a chave do nosso sucesso, mas só trabalhava com projetos selecionados, que tivessem sinergia com seus valores. Foi então que escrevemos um e-mail a ele, contando sobre todas as nossas frustrações em relação ao consumo de tequila no Brasil e a ideia do nosso produto. Contei que queríamos trazer uma forma mais consciente de consumo da bebida e por isso havíamos desenvolvido uma receita de um drink que se adaptava ao paladar brasileiro ao mesmo tempo em que era possível sentir e apreciar o sabor da tequila. Falei sobre a nossa vontade de enaltecer a cultura mexicana, todo o nosso respeito pela produção artesanal e também sobre a nossa consciência de que queríamos trabalhar com a tequila de verdade, ao invés de enganar o consumidor com "aperitivos de agave" e outras versões fajutas do destilado. E que sabíamos que a qualidade da tequila era o que determinaria se nosso produto seria um sucesso ou um fracasso. E foi assim que começou uma das nossas maiores parcerias da empresa!

Clayton saiu em busca de possíveis fornecedores de acordo com o perfil de produto que queríamos: um sabor suave, mas que ainda apresentasse as características vegetais próprias do agave. Optamos então por uma versão de tequila blanco e que não fosse 100% agave. Como estávamos apenas começando e não possuíamos muito capital, os produtores precisavam estar dispostos a exportar para o Brasil (um dos países mais burocráticos para trâmites de bebidas alcoólicas) e em pequena quantidade. Era um perfil bem específico que resultou em reuniões com 5 fornecedores escolhidos a dedo.

Guadalajara, México

DESBRAVANDO A ZONA TEQUILEIRA

Dois meses depois, estávamos desembarcando em Guadalajara, México, prontos para 4 dias intensos de relacionamento com os produtores de tequila. Visitamos fornecedores nas cidades de Amatitán, El Arenal e Arandas, e ainda conhecemos o famoso pueblo de Tequila que dá o nome a esse destilado cheio de história e onde tivemos a oportunidade de acompanhar La Feria Nacional del Tequila, um festival que acontece em Dezembro dedicado a celebrar toda a história e grandeza deste destilado símbolo do México.

Amatitán, Jalisco, México

Foram dias atarefados, com reuniões longas e degustações de tequila logo às 9h da manhã. Não era para os fracos! Conhecemos fornecedores e produtos de diferentes tipos, até que, no último dia, fomos apresentados à Casa Tequilera de Arandas. Era uma empresa de porte médio que respeitava os processos tradicionais de produção do destilada e com uma gerência com visão de negócios diferenciada. O custo do produto era viável e havíamos nos apaixonado pelo fornecedor, mas ainda era preciso fazer os testes de sabor. Por isso, trouxemos para o Brasil amostras dos 5 produtores e, para nossa surpresa, a melhor combinação com a nossa receita foi, justamente, a da Casa Tequilera de Arandas. Fechada a negociação com a empresa, começamos a saga para tirar a documentação necessária para trazer o produto para o Brasil.

DIAS DE BUROCRACIA

Nós fomos a primeira empresa brasileira a trazer tequila à granel e, como fizemos questão de fazer tudo respeitando as legislações mexicana e brasileira, o processo foi bastante longo e burocrático.

Na época, o tratado Brasil x México (que facilita justamente os trâmites de cachaça e tequila entre os dois países) não havia sido assinado, e nós tivemos que ser verdadeiros desbravadores. Nossa carga ficou presa no porto durante meses, pois os fiscais do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) não possuíam conhecimento sobre a lei específica que tratava das normas de produção de tequila, que fora escrita em 1974 e que não se encontrava no sistema digitalizado do órgão.

Me lembro da luta diária, fazíamos telefonemas à especialistas, solicitações, réplicas e tréplicas ao sistema do órgão, visitas ao escritório do MAPA em Santos, entre outros esforços para concretizar nossa primeira leva de importação: míseros 3.000 litros de tequila. Foram meses até que a mercadoria saísse do porto em direção à fábrica em Jundiaí, onde aconteceu nosso primeiro envase para lançarmos a Quetzalli - 5 anos depois que tudo começou.

Esse foi, sem dúvidas, o maior e mais longo desafio que tivemos no processo de criação da Quetzalli. Mas, também é nosso maior mérito, pois vencemos a burocracia do sistema, conseguimos um histórico sem precedentes, mas, acima de tudo, trouxemos uma tequila única e de qualidade, perfeita para o nosso projeto.


Mariana Migliano

Formada em Design Gráfico e Comunicação social, sou fundadora e CXO da Quetzalli. Sou uma sagitariana apaixonada por viagens e animais e sempre a disposição para tomar um bom drink


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